As Relíquias da Morte ︎◆ Filmes e peças ︎◆ Parte 1

Roteiro HP7.1 Parte 3: Tradução das cenas 27 ~ 39

Trazemos hoje a nossa terceira parte do periódico que visa publicar todos os sábados 13 cenas traduzidas para o português do roteiro oficial do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1.

As cenas de hoje começam com o ataque dos Comensais da Morte contra Harry e Hagrid durante a fuga dos Sete Potter. Aqui há uma alteração visível – ao contrário do que é apresentado no livro e na edição final do filme, neste roteiro a Edwiges ataca o Comensal e só é morta porque um feitiço ricocheteia na moto e a atinge.

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Também no que concerne a essa cena, a sequência da varinha do Harry destruindo a que o Voldemort estava usando na tentativa de matá-lo também é diferente, e não há a destruição da rede elétrica da região. Depois da fuga, Harry e Hagrid chegam à Toca e toda essa cena é praticamente igual à presente no filme, exceto pelo fato de que no roteiro há aquela longa fala do Hagrid explicando que nunca trairia o Harry.

Depois temos a visão do Voldemort torturando o Olivaras e Harry tentando fugir d’A Toca – ambas com pouquíssimas alterações. A tenda do casamento é montada, e há a cena amorosa entre Harry e Gina – aqui o diálogo entre eles é maior, e há uma conversa sobre o trio deixar a escola.

As cenas de hoje terminam com a visita do Ministro da Magia à Toca para entregar a herança que Dumbledore deixou para o trio – a conversa é praticamente a mesma, exceto pelo seu fim, que traz mais agressividade por parte d’O Eleito.

Vocês podem conferir a tradução dessas cenas na extensão – onde se encontram links das traduções anteriores -, ou fazer o seu download em pdf clicando aqui!

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 1
Roteiro original ~ Cenas 27 à 39
Warner Brothers
Tradução: Isadora Moraes
Revisão: Larissa França

Tradução das cenas 1 ~ 13
Tradução das cenas 14 ~ 26

27. EXT. TORRES DE ELETRICIDADE – AÇÃO CONTÍNUA – NOITE

… TORRES DE ELETRICIDADE ENORMES aparecem na escuridão. Enquanto Hagrid tece caminho pelas torres, uma gangue de Comensais da Morte entra EM CENA. Harry dispara um Feitiço Estuporante atrás do outro, mandando dois Comensais em direção aos fios, que CHIAM onde eles oscilam brevemente, aos espasmos, antes de mergulhar na escuridão. Harry ataca novamente e observa dois outros Comensais tomarem medidas evasivas… sem notar o Comensal da Morte se aproximando por trás. Finalmente ele se vira. O Comensal sorri, varinha pronta, quando…

Edwiges ataca de cima, esfolando a mão em que o Comensal segura a varinha.

Harry sorri triunfantemente quando… terríveis sequências de RAJADAS DE VARINHAS ricocheteam na motocicleta e Edwiges se vai. Harry olha de relance em volta, desesperado, quando:

COMENSAL DA MORTE
É ele! É o verdadeiro!

Os Comensais da Morte remanescentes recuam e desaparecem.

HAGRID
Segure-se firme, Harry! Temos que
tirar você daqui!

Hagrid aperta o botão roxo de novo e a moto é impelida para frente com rapidez. Harry olha fixamente para trás, desolado… então estremece, seus olhos giram em órbitas em sua cabeça. Apertando sua cicatriz, ele olha vesgamente em direção ao horizonte e vê algo se aproximando deles. Parece fumaça, até começar a adquirir forma.

Voldemort. Voando. Lentamente, Harry ergue sua varinha.

HARRY
Hagrid… HAGRID…!

Harry deixa escapar um grito primitivo, seus olhos cerrados de dor, a mão que segura sua varinha tremendo ao apontá-la cegamente. O rosto ofídico de Voldemort se aproxima, sua varinha apontada para Harry. O braço do menino fica mole, sua varinha começa a escorregar…

VOLDEMORT
Avada…

Abruptamente, o braço de Harry se ergue como se puxado por um barbante, levantado pela varinha que treme em sua mão. FOGO DOURADO é lançado à frente e –- Crack! –- FEIXES deslizam sobre o chassi da moto. Harry se vira e –- por um milésimo de segundo –- fica frente a frente com Voldemort, cujos olhos mudam de direção, encarando -– com o que parecia ser medo –- a varinha de Harry. Então –- voosh! -– Voldemort recua para trás e para longe, evaporando como fumaça. Até que…

… o motor da motocicleta ENGASGA e Hagrid e Harry começam a cair. PUTT… PUTT… PUTT…

28. EXT. A TOCA – MESMA HORA – NOITE

A moto cai chapinhando no canavial, estala, e pára completamente com um SSSSSILVO FUMACENTO. Harry olha de relance em volta. Uma porta da encurvada casa se abre. DUAS SILHUETAS aparecem, correm na direção deles -– SRA. WEASLEY e GINA.

SRA. WEASLEY
Harry! Hagrid! O que aconteceu?!
Onde estão os outros?

HARRY
Ninguém mais voltou?

Ele olha da Sra. Weasley para Gina. Gina balança a cabeça negativamente.

HAGRID
Eles vieram atrás de nós desde o começo,
Molly –- os Comensais da Morte. E
Você-Sabe-Quem também.

O rosto de Molly Weasley denuncia pânico, mas ela o retrai.

SRA. WEASLEY
Bom, graças aos céus vocês estão
bem.

HAGRID
Você não teria conhaque aí, teria,
Molly? Para fins medicinais?

Ela assente, leva-o em direção à casa. Uma vez longe do alcance dos ouvidos, Harry se vira para Gina, em expectativa. Ela parece aterrorizada.

GINA
Rony e Tonks já deveriam ter
voltado. Papai e Fred também.

De repente, vários metros adiante, uma LUZ AZUL brilha na escuridão. Harry e Gina se apressam em sua direção no momento em que Lupin se materializa, carregando um “Harry” inconsciente, com roupas rasgadas e a cabeça banhada de SANGUE. Harry percebe a situação surreal ao observar “ele mesmo” se transformar em Jorge, que sofre com o dano que lhe foi causado. Gina cobre o rosto com as mãos.

GINA
Meu Deus! Jorge!

LUPIN
Para a casa! Rápido!

29. INT. CASA DOS WEASLEY – SALA DE ESTAR – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Lupin e Harry colocam Jorge no sofá, onde sua cabeça rola em direção à luz da lâmpada, o sangue ainda mais chocante agora. Molly Weasley grita. Jorge perdeu a orelha.

SRA. WEASLEY
Meu menino! Meu querido filho!
O que fizeram com você?!

Harry observa miseravelmente –- raiva e culpa borbulhando dentro de si -– quando Lupin agarra o colarinho de sua camisa e o empurra com força de encontro à parede.

GINA
Remo! O que está fazendo!

LUPIN
Que criatura estava no canto
na primeira vez que Harry Potter
visitou o meu escritório em Hogwarts!

HARRY
Ficou louco…?

LUPIN
QUE CRIATURA!

HARRY
Um grindylow!

Lupin solta Harry, se vira para os outros.

LUPIN
Fomos traídos. Voldemort sabia que você
seria transferido esta noite. Tive que me
certificar de que não era um impostor.

HARRY
Quem fez isso com ele?

LUPIN
Snape.
(assentindo para Jorge)
Ele vai ficar bem, Molly. Mas isso é
Magia Negra. O estrago está feito.

Ela simplesmente concorda com a cabeça, chorando, acariciando o rosto de Jorge. Um brilho azul reluz na janela, de onde Hagrid se encontra próximo.

HAGRID
Mais alguém voltou.

30. EXT. JARDIM (A TOCA) – NOITE (SEGUNDOS DEPOIS)

Hermione e Kingsley estão lado a lado, parecendo abalados. Enquanto os outros se apressam na direção do par, Kingsley aponta sua varinha para Lupin.

SHACKLEBOLT
As últimas palavras que Alvo Dumbledore
nos disse?

LUPIN
‘Harry é a melhor esperança que temos.
Confiem nele.’

Shacklebolt abaixa sua varinha, se dirige a Harry.

SHACKLEBOLT
O que te denunciou?

HARRY
Edwiges –- eu acho. Ela tentou
me proteger –-

No mesmo momento o jardim é iluminado por uma LUZ AZUL e, par após par, os outros se materializam: Fred e o Sr. Weasley, Gui e Fleur, Rony e Tonks. Rony ainda é “Harry”, mas Hermione não hesita, envolvendo-o em um abraço caloroso. À medida que ele se transforma de volta em sua própria versão fatigada da batalha, parece ligeiramente envergonhado por estar tão perto de Hermione.

RONY
Olá -– Bem… obrigado.

TONKS
Ele merece isso. Foi brilhante. Não estaria
aqui, agora, se não fosse por ele.

HERMIONE
É verdade?

RONY
(libertando-se do abraço)
Sempre o tom de surpresa.

ARTHUR WEASLEY
Somos os últimos? Onde está Jorge?

De repente… silêncio. O Sr. Weasley olha para todos, dirige-se a Lupin.

ARTHUR WEASLEY
Remo. Onde está meu filho?

31. INT. CASA DOS WEASLEY – SALA DE ESTAR – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Arthur Weasley, seguido pelos outros, pára de supetão. Molly olha para cima, seu rosto denunciando o ocorrido. Fred põe a mão no ombro do pai, olhos ardendo com lágrimas ao ver o irmão. Como se pressentindo a chegada deles, Jorge se mexe.

FRED
Como se sente, Jorginho?

JORGE
Mouco.

FRED
Como é?

Os olhos de Jorge se abrem novamente, ele estende um dedo sujo de sangue coagulado e aponta para a cavidade escura na lateral de seu crânio.

JORGE
Mouco… Entende, sou surdo, oco.
Sou mouco, Fred, sacou?

FRED
Com um mundo inteiro de piadas sobre orelhas
à sua disposição e o melhor que consegue
fazer é estou mouco? Patético.

JORGE
E continuo mais bonito que você.
Mais bonito que o Gui, com certeza.

Gui não sorri. Fleur, ao lado dele, parece igualmente sombria.

GUI
Olho-Tonto está morto.

Ninguém se move.

GUI
Mundungo, assim que viu
Voldemort, desaparatou.

LUPIN
Voldemort esperava que o verdadeiro
Harry fosse ser acompanhado pelo Auror
mais hábil, segundo Olho-Tonto. Ele
sabia estar correndo o maior perigo.

ARTHUR WEASLEY
Não explica como ele sabia que
transferiríamos Harry esta noite.

Ninguém fala nada. Olhares são trocados.

HAGRID
O quê? Um de nós? Isto é loucura! Apostaria minha
vida que não foi nenhum de vocês. E saberia se tivesse
sido eu, não é mesmo? Às vezes falo durante o sono,
admito, mas só há Canino por perto para me ouvir e na
maioria das vezes é tudo bobagem e, além do mais,
preferiria cortar minha língua fora antes de trair
Harry até mesmo em meus sonhos —

Hagrid pára, piscando miseravelmente. De repente, todos sorriem.

HAGRID
Qual é a graça!

HARRY
Confio minha vida em você, Hagrid.
Confio em todos neste aposento.
Entendido?

LUPIN
Entendido.

JORGE
É isso aí.

Fred concorda entusiasticamente com o irmão.

FRED
Assim está melhor.

32. OMITIDA

33. INT. QUARTO DE RONY – NOITE (MAIS TARDE)

Sombras se misturam no teto. Harry se agita incerto, algo atormentando-o em seu sono. De repente, sua CICATRIZ SE CONTRAI. Ele FAZ UMA CARETA.

VOLDEMORT (NARRAÇÃO EM OFF)
Você mentiu para mim, Olivaras!

34. INT. MANSÃO MALFOY – PORÃO – NOITE

No topo de uma escadaria de madeira apodrecida, Rabicho aparece com um OLIVARAS magro e fraco.

Na superfície rachada de um ESPELHO ALTO, vemos Voldemort refletido no topo das escadas – uma silhueta furiosa.

OLIVARAS
Não! Não! Acreditava que uma varinha
diferente funcionaria, eu juro!

VOLDEMORT
Então explique isso!

Voldemort estende seus dedos esqueléticos. A varinha de Lúcio Malfoy encontra-se partida em sua pele fantasmagórica.

OLIVARAS
Mas não faz nenhum sentido…

VOLDEMORT
Talvez a lealdade de nosso amigo
esteja em outro lugar, Rabicho.

OLIVARAS
Não! Deve haver um jeito! Pensarei
em outra coisa!

VOLDEMORT
Espero que sim, Olivaras, pelo seu próprio
bem. Não serei tão indulgente da
próxima vez…

35. INT. QUARTO DO RONY – AÇÃO CONTÍNUA – NOITE

Harry acorda sobressaltado, os olhos brilhando na escuridão. Ele observa as sombras acima de si, depois baixa o olhar para sua mão, onde sua varinha reluz à luz da lua.

35A. INT. ESCADARIA – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Mochila pendendo do ombro, Harry desce os degraus espirais lentamente e sem fazer barulho, passando por portas de quartos silenciosos, entrando e saindo das sombras.

35B. EXT. JARDIM – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Harry emerge na noite, mudando a mochila de ombro ao observar os bambus se movimentando assustadoramente na escuridão.

RONY (FORA DE QUADRO)
Indo para algum lugar?

Harry enrijece, vira-se para encontrar o olhar acusatório de Rony, e continua.

HARRY
Ninguém mais vai morrer. Não por mim.

RONY
Por você? Acha que foi por você que Olho-Tonto
morreu e Jorge perdeu a orelha? Você pode
até ser O Eleito, amigo, mas o que está
acontecendo é muito maior que isso.

Harry encara Rony. A atmosfera é tensa.

HARRY
Venha comigo. Agora.

RONY
E deixar a Hermione? Ficou louco?
Não duraríamos dois dias sem ela.
(olhando em volta)
Não conte a ela que eu disse isso.
(de volta a Harry)
Além do mais, você ainda tem o Rastreador.
E tem o casamento…

HARRY
Casamento?

RONY
Gui e Fleur. Mamãe vem planejando-o há
meses. Reconheço que é o que a manteve sã.
Ela vai me matar se eu faltar. E você também.
Para ser sincero, acho que prefiro enfrentar
Você-Sabe-Quem.

Rony dá um sorriso, mas Harry parece não se sensibilizar.

HARRY
Não ligo para uma droga de casamento – não
importa de quem seja. Tenho que começar
a procurar pelas horcruxes. É nossa única
chance de derrotá-lo. Quanto mais tempo
esperamos, mais poderoso ele fica.

Rony simplesmente encara Harry, calmo, equilibrado.

RONY
Hoje não é a noite, amigo. Você só estaria
fazendo um favor a ele.

Harry encara Rony – irritado por sua maneira fria e senso lógico. Finalmente ele se vira e, frustrado, atira a mochila no chão. Por um momento eles ficam parados em pé, assim, Harry de costas para Rony. Em silêncio. Finalmente, Rony se pronuncia.

RONY
Você acha que ele sabe?

Harry vira a cabeça um pouco, mas não diz nada.

RONY
Quero dizer, são pedaços da alma dele, as
Horcruxes. Partes dele. Quando Dumbledore
destruiu o anel e você destruiu o diário de
Tom Riddle anos atrás – ele deve ter sentido
algo, certo?

Harry considera a indagação, mas permanece em silêncio.

RONY
O que quero dizer é que, se fizermos
tudo certo, se acharmos e destruirmos as
horcruxes, uma por uma…

Harry espera.

RONY
Ele não descobrirá que está sendo perseguido?

Harry continua sem dizer nada. O silêncio paira mais uma vez, então:

ARTHUR WEASLEY (FORA DE QUADRO)
Todos juntos, agora!

36. EXT. CASA DOS WEASLEY – POMAR – MANHÃ

Visão aérea: Um ENORME CÍRCULO de SEDA está planamente jogado no chão. Enquanto Hagrid observa, Arthur, Gui, Rony e Fred encontram-se a sua volta, varinhas prontas.

ARTHUR WEASLEY
Um. Dois. Três!

A seda é levantada, arranjando-se em um perfeito toldo de casamento, esvoaçando assombrosamente com a brisa matinal… e então despenca.

37. INT. COZINHA – MANHÃ (SEGUNDOS DEPOIS)

O PROFETA DIÁRIO encontra-se em primeiro plano, MANCHETE ACUSANDO: “OS SEGREDOS OBSCUROS DE DUMBLEDORE”. Nós OUVIMOS PASSOS descendo da escada… e então a figura embaçada de Harry ENTRA EM FOCO e pega o jornal para uma inspeção mais minuciosa.

RITA SKEETER sorri para ele, segurando um LIVRO entitulado A vida e as mentiras de Alvo Dumbledore. Um pouco mais abaixo, o subtítulo: “Pensa que conhece Dumbledore? Pense de novo!”

GINA (FORA DE QUADRO)
Você pretendia me contar?

Harry se vira, encontra Gina na porta usando um lindo vestido.

HARRY
Sim.

GINA
E Rony e Hermione. Eles também não
voltarão para Hogwarts?

Harry a encara. Ela está dolorosamente linda na luz vinda da janela.

GINA
Entendo.

HARRY
Dumbledore não queria que ninguém soubesse
o que vamos fazer. Se contar a você, estarei
traindo-o.

GINA
Fecha para mim, por favor.

Ela se vira. O vestido está aberto em suas costas. Harry avança e pega o zíper. Enquanto as laterais se fecham, cobrindo sua pele, seus dedos se demoram no topo, roçando levemente na curva de seu pescoço. Os dois ficam assim, completamente parados, o momento pleno.

GINA
Parece besta, não parece? Um casamento.
Levando em conta a situação atual.

HARRY
Talvez seja o melhor motivo para fazer um.
Por causa da situação atual.

Ela vira o rosto, fica de perfil, bem próxima dele. Então se entrelaça nele e eles se beijam. Longamente. Profundamente.

Jorge, escovando os dentes, entra de maneira sorrateira, se serve de uma xícara de chá e, enfiando a escova no buraco em que antes estava sua orelha, se encosta no fogão para tomar um gole. Gina –- pressentindo algo –- abre seus olhos e PULA. Harry se vira. Jorge pisca, levanta sua xícara na direção deles.

JORGE
‘Dia.

38. EXT. POMAR – MESMA HORA – MANHÃ

Arthur observa a tenda de seu ponto de vista: perfeita.

ARTHUR WEASLEY
Como está por aí, garotos?

Rony e Fred olham: inclinada, deformada.

FRED
Uma maravilha!

No mesmo momento a seda estala e as árvores em volta do pomar estremecem com uma rajada de vento. Todos se afastam da tenda e observam um BRUXO ALTO de CABELOS GRISALHOS e uma BOCHECHA MARCADA se materializar. RUFO SCRIMGEOUR.

JORGE
Caramba, o que o Ministro da Magia está
fazendo aqui?

RONY
Não sei. Mas algo me diz que ele não veio
entregar a noiva.

39. INT. CASA DOS WEASLEY – SALA DE ESTAR – MOMENTOS DEPOIS

Harry entra, seguido por Rony e Hermione. Scrimgeour gesticula para o sofá. Harry dirige a Scrimgeour um olhar de desprezo mal dissimulado.

HARRY
A que damos o prazer, Ministro?

SCRIMGEOUR
Acho que ambos sabemos a resposta para
esta pergunta, Sr. Potter.

Scrimgeour joga uma BOLSA DE PANO na mesa na frente deles. O trio a analisa com curiosidade, troca olhares.

HARRY
E isto seria…?

SCRIMGEOUR
Não seja tímido, Sr. Potter.
Sr. Weasley. Diria que você e o
antigo diretor eram íntimos?

RONY
Dumbledore? E eu? Não sei. Imagino que
era apenas mais um Weasley para ele. Ele
sempre foi educado –-

SCRIMGEOUR
E você, Srta. Granger? Como descreveria seu
relacionamento?

HERMIONE
Éramos amigos, não tão próximos quanto
Harry, mas –-

HARRY
Para quê tudo isso?

SCRIMGEOUR
Isso. Apesar do fato de nenhum dos
seus amigos aparentar ter sido
particularmente íntimo do falecido
diretor de Hogwarts, eles não foram
esquecidos em seu testamento. Por que
acha que isso aconteceu?

Harry, Rony e Hermione trocam olhares novamente.

HARRY
Não faço idéia.

SCRIMGEOUR
Ora vamos, não espera que
eu acredite…

Scrimgeour procura algo em sua capa, remove um ROLO DE PERGAMINHO. LÊ:

SCRIMGEOUR
‘Por meio deste é registrada a Última
Vontade e Testamento de Alvo Percival
Wulfrico Brian Dumbledore. Primeiramente,
para Ronald Abílio Weasley, deixo meu
desiluminador, um dispositivo de minha própria
criação, na esperança de que –- quando a hora mais
sombria vier -– ele possa mostrar-lhe a luz.’

Scrimgeour remove um PEQUENO OBJETO PRATEADO da bolsa.

RONY
Dumbledore deixou isso? Para mim?
Maneiro! Ãhn –- o que é mesmo?

Rony CLICA o desiluminador e a luz foge de todas as lâmpadas para dentro dele, deixando o aposento em escuridão total. Ele o CLICA novamente e a luz volta às lâmpadas.

RONY
Maneiro.

SCRIMGEOUR
‘Para a Srta. Hermione Jane Granger, deixo
minha cópia de
Os Contos de Beedle, O Bardo,
na esperança de que o ache divertido e instrutivo.’

Scrimgeour procura na bolsa outra vez e retira um PEQUENO LIVRO, sua
capa manchada e descascando em alguns pontos.

RONY
Mamãe costumava lê-los para mim! O Bruxo
e o Caldeirão Saltitante,
Babbity, A Coelha e seu Toco Gargalhante…

Harry e Hermione o encaram inexpressivamente.

RONY
Ora, vamos! As histórias de Beedle são famosas!
Babbity, a Coelha? Não…?

Scrimgeour olha para Rony com um quê de irritação, e continua.

SCRIMGEOUR
‘Para Harry Tiago Potter, deixo o pomo de
ouro que capturou em sua primeira partida de
quadribol em Hogwarts, como um lembrete das
recompensas da perseverança e da competência.’

Scrimgeour coloca o pequeno globo dourado na palma da mão de Harry, onde ele reluz estupidamente. Harry o analisa, então levanta o olhar.

HARRY
Terminamos, então?

SCRIMGEOUR
Ainda não. Dumbledore lhe deixou
uma segunda herança: a espada de
Godric Gryffindor. Infelizmente,
a espada da Grifinória não pertencia
a Dumbledore para que dispusesse dela.
Por ser um artefato histórico importante,
ela pertence…

HERMIONE
A Harry! Ela pertence a Harry! Ela o escolheu!
Veio até ele na Câmara Secreta quando ele
mais precisou dela!

SCRIMGEOUR
A espada pode se apresentar a qualquer
aluno da Grifinória que a mereça, Srta.
Granger. Isto não a torna propriedade
deste bruxo. E, de qualquer maneira,
o paradeiro da espada é desconhecido.

HARRY
Como é?

SCRIMGEOUR
A espada está desaparecida.
(antes que Harry possa continuar)
Não fingirei ser seu amigo, Sr. Potter. Mas
posso assegurar-lhe que não sou seu inimigo.

HARRY
Terá que me perdoar, Ministro. Mas tem sido
um pouco difícil perceber essa diferença.

SCRIMGEOUR
Dumbledore me disse algo um tanto parecido
na última vez que conversamos.

Scrimgeour olha de relance para a janela, olhos assombrados.

HERMIONE
Onde está sua guarda, senhor?

SCRIMGEOUR
Vim sozinho. Não preciso mais deles…

Ele se vira, sai. MÚSICA e RISADAS SÃO OUVIDAS…