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Os valores em Harry Potter
//Por Sheila Vieira - sexta-feira, 11 de junho de 2010 às 11:10

Sete livros, todos com muitas páginas. Muitos personagens, tramas e lugares. Mas o que fica para os leitores? Quais são os pilares em que a história de Harry Potter se sustenta? Nosso colunista Breno Alvarenga responde essa questão com três valores.

São eles Família, o Bem e o Amor. O contraste entre a Rua dos Alfeneiros e a Toca demonstra o quanto o ambiente é importante na nossa formação, tanto quanto a forma que resistimos a nos corromper. Não deixe de conferir o texto na íntegra aqui e colocar sua opinião nos comentários.

Por Breno Alvarenga

O mundo mágico de Harry Potter, criado por J.K Rowling, se assemelha ao nosso mundo trouxa de tal maneira que, sem a bruxaria na série, teríamos um belo retrato da nossa sociedade. É possível reconhecer, tanto nos livros quanto à nossa volta, órgãos públicos corruptos e ineficientes, censura nos meios de comunicação, a comodidade da sociedade diante dos seus problemas, a repressão, pessoas más infiltradas nas diversas camadas da população e o sonho de um mundo melhor. O que nos falta é lutar por um viver mais digno.

Se, nos livros, Harry Potter foi o escolhido para fazer isso, devemos nos portar em nosso mundo como os escolhidos, sendo que a profecia reveladora de tal incumbência seja a nossa índole. J.K nos deu pistas de como lutar pelos nossos direitos como cidadãos durante toda a série e, para isso, nos mostrou a importância dos valores em nossa vida, valores estes que nos permitem reconhecer a nós para nós mesmos e como seres dentro de uma sociedade. A seguir, analisarei três dos valores que acredito terem sido essenciais durante a jornada de Harry Potter: a família, o bem e o amor.

A família
Harry Potter deve sua vida à sua família duas vezes: primeiro, por ter sido concebido pelos seus pais e, segundo, ao ser salvo da morte devido ao amor de sua mãe. Sem o elemento família, a história do menino que sobreviveu pararia antes mesmo deste ser chamado assim.

A família traz consigo um belíssimo e inexplicável sentimento: o de amar alguém que quando em outra situação não teríamos a disposição de conhecer. Quantas vezes ouvimos “meu irmão não tem nada a ver comigo, mas eu o amo”? Essa convivência quase que obrigatória nos leva o observar, compreender, acompanhar e admirar a jornada dos familiares, enquanto nos outros nos contentamos em julgá-los como dignos de nos acompanhar pela vida em um encontro ou dois. É na família que encontramos a segurança de estar de volta, o alívio de ter apoio quando a única companhia é a solidão e a certeza de ser amado independente de suas fases e humores. Pelo menos é este o estereótipo de família.

Na série, encontramos um inesquecível exemplo deste estereotipo familiar: Os Weasleys. A união desta família é tão grande que nos dá a impressão de que é esta a única forte e duradoura relação que conseguem manter. Os Weasleys são incapazes de fazer amigos. Têm a necessidade de incorporar todos de sua convivência em sua família. Tonks, Sirius, Lupin, Hermione, Harry e diversos outros personagens foram, ao longo dos livros, fazendo parte da grande família Weasley. Foi na Toca que todos encontraram refúgio, amor, atenção e uma bela refeição. Harry, órfão, só tivera como um exemplo familiar os Dursley, onde era tratado como um indesejável. Sua necessidade de ter uma família foi, em grande parte, suprida pelos Weasleys, que o acompanharam durante sua jornada como o escolhido.

O Bem
Aristóteles dizia que os homens bons têm a necessidade de agir virtuosamente, desejando ao outro, seu amigo, aquilo que deseja a si mesmo. Estas ações virtuosas despertam nos demais, segundo Aristóteles, a vontade de agir da mesma forma, se tornando também, com o tempo, um homem bom. A ideia de Bem, portanto, se torna mais concreta quando há uma união de forças.

Durante toda a série há essa ideologia mostrada. A jornada de Harry no último livro não teria sido, provavelmente, tão satisfatória sem a companhia de Rony e Hermione. A Ordem da Fênix e a Armada Dumbledore são ainda exemplos da união de forças em prol de um bem maior. Esta ideia é bem representada no filme “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, quando, aos poucos, as luzes das varinhas vão se direcionando ao céu contra a Marca Negra, que é logo destruída. Na batalha de Hogwarts, em “Relíquias da Morte”, a união do bem atinge sua maior intensidade e esperar que a série tivesse um outro final seria esperar que J.K traísse os valores que ela mesma deixou claro acreditar durante toda a obra.

É sabido que quanto mais se pratica o bem, melhor se torna a pessoa. Esta, portanto, melhor para os demais, se torna melhor consigo mesma. A luta pelo bem é incessante, mas nunca em vão. Quem luta pelo bem, luta pelo crescimento da alma, enquanto quem luta pelo mal, só satisfeito estará quando atingido o objetivo final. A diferença está na trajetória: enquanto o primeiro tem todo o aprendizado nela, o segundo a tem como um obstáculo obrigatório. No entanto, o bem é filho de outro valor:

O Amor
É clichê e pedante dizer que o amor é o pai dos sentimentos, mas é uma verdade. O elemento família se constitui e mais forte se torna com o amor entre os envolvidos. Ser e praticar o bem é amar o outro e a si mesmo. O senso de justiça vem do amor ao espaço e aos bons convívios a nossa volta. A felicidade é o resultado de amar a própria jornada, estando satisfeito com esta. Enfim, amar é abrir os olhos todos os dias, uma vez que o maior amor que pode existir é amar a sua existência e, portanto, a sua capacidade de ter amor por tudo mais.

A jornada de Harry Potter se inicia com amor de seus pais, se reinicia com o amor de sua mãe e se constrói com mais amor. Amor pelos amigos, ao acreditar que podem ter uma vida melhor e mais justa. Amor pelo espaço à sua volta, uma vez que luta por deixar transparecer sua melhor faceta. Amor por si mesmo, ao querer despertar em si cada vez mais o bem e se dar o direito de viver plenamente e em segurança.

Para os olhos de muito, Harry Potter não é literatura e é algo fútil e longe da realidade. Olhos cegos de preconceito, penso eu. Mas estes comentários passam despercebidos por mim. Só eu tenho o imenso prazer de reconhecer o crescimento que a série me proporcionou, com seus valores e ensinamentos. Calo-me ao ouvir isto, porque tenho a alegria de saber que tenho olhos cegos de mágica. Mais alegre ainda de reconhecer que essa mágica está dentro de mim e no mundo que enxergo com meus novos olhos. Posso petrificar lembranças, estuporar sentimentos ruins e explorar minha essência com um bom lumus máxima.

Breno Alvarenga ama sua famíla e pratica o bem com seus belos textos.

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Categorias: Análises, Breno Alvarenga, Colunas, Notícias em Destaque
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Comentários
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Mariana Christina | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Adorei!!!!

Também tenho de conviver com diversos tipos de pré-conceitos por gostar, por amar e viver, Harry Potter, mas não ligo, cegos são eles que deixam de ter prazer ao ler estes livros que mudam vidas dia após dia :)

HP forever!!


Rildo | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Breno Alvarenga, antes de comentar a coluna, meus sinceros parabéns… eu simplesmente amei!

Agora levando em conta outros pontos sobre a história, o engraçado de Harry Potter que eu observei é que, Harry cresceu com a família Dursleys, uma família que não dava amor a ele, e se desse, como falou Dumbledore no sexto livro, ele seria igual a Duda, mas… Se Harry não tinha o amor da única família que ele tinha, que era os Durlerys, porque então ele continuou lutando para viver, se só descobriu a amizade e que tinham pessoas que gostavam dele aos onze anos, quando entrou em Hogwarts? Então isso leva a justamente o que foi dito na coluna…

Amor pelo espaço à sua volta, uma vez que luta por deixar transparecer sua melhor faceta. Amor por si mesmo, ao querer despertar em si cada vez mais o bem e se dar o direito de viver plenamente e em segurança.

Cara, amei a coluna… É bom saber que eu tenho o prazer de perceber as qualidades de uma história como Harry Potter e não sou um cético…

Valeu, adorei! :D


BARBOSA | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Parabéns pela coluna. Nada como um novo texto para esquecermos aquele do Crepúsculo. (gente, o estilo twilligth é melhor que Harry, convenhamos). ;) ;)


babi ventura | sexta-feira, 11 de junho de 2010

fiquei muito emocionada com seu texto, breno alvarenga. leio harry desde os 9 anos (completarei 19 em julho), e sempre discuti com outros leitores e não-leitores o quão harry é mais do que um simples história, principalmente em relação a valores. seu texto aborda um tema que eu sempre refleti ao ler os livros, e fico muito feliz que ele tenha sido abordado. uma ótima maneira de expandir a visão dos leitores.


Daniel | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Barbosa, você é um troll simpático demais, se quer saber a minha opinião.


Diana | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Gostei muito da coluna, Breno. Ela toca no coração de quem cresceu junto com Harry Potter. *-*

Parabéns! :D

“Para os olhos de muito, Harry Potter não é literatura e é algo fútil e longe da realidade.”

Quanto a isso, só tenho uma coisa a dizer: azar de quem não percebe o verdadeiro significado de Harry Potter. 8) E sorte nossa! :D


Diana | sexta-feira, 11 de junho de 2010

*a nossa


luc | sexta-feira, 11 de junho de 2010

troll? ;/
mas ele realmente n quis ser um;
n ta tentando fazer ninguém discutir e se bater…
ele só pôs a opinião dele, de maneira clara e simples.

mas da um olhada no texto sobre crepusculo que tu provavelmente vai gostar sds. xD


Marininha Potter | sexta-feira, 11 de junho de 2010

@luc, se você não percebeu, o Dan não ofendeu ninguém :D

Vou aqui reescrever uma frase da @gigiahp: O mundo não se divide em inteligentes e burros. Divide-se em os que leem Harry Potter e idiotas :P
Tá, desconsiderem aushuashuahsuas

Os valores que HP passa são muito fortes. Uma lição de vida, realmente. Devemos acentuar que Harry é orfão, foi criado pelos tios sem nenhum amor, tratado como lixo até os onze anos. É um “milagre” que esse garoto tenha se libertado para amar. Voldemort teve uma infância parecida (sozinha, eu digo. Aquele orfanato não me pareceu dos melhores…) e se tornou no que se tornou, né?


Camila | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fato é que, de acordo com minhas próprias experiências, a maioria (quando digo maioria é meeesmo) das pessoas que taxa Harry Potter de fútil, bobo ou infantil nunca se preocupou em ler a série. Um belo dia viu os filmes no SBT e já criou seu julgamento por aí mesmo.
O que eu amo em HP, além da narrativa envolvente, divertida e dinâmica, da trama surpreendente, sólida e brilhantemente construída e seus personagens cativantes, incrivelmente bem feitos e multi dimensionais é exatamente essa abundância de valores essenciais ao ser humano. É por isso tudo também que eu acho J.K. Rowling uma mulher simplesmente genial. :D

Parabéns pela coluna, Breno!


Lu | sexta-feira, 11 de junho de 2010

“Calo-me ao ouvir isto, porque tenho a alegria de saber que tenho olhos cegos de mágica.”

que frase linda :’) adorei a coluna ;)


Paty | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Linda coluna! *-*

Tive que twittar a frase: “Calo-me ao ouvir isto, porque tenho a alegria de saber que tenho olhos cegos de mágica.” Simplesmente perfeita!

Esses pilares sustentam mesmo a série, ao meu ver, e são lindos demais, é realmente chocante que tantas pessoas não enxerguem isso.

” Na batalha de Hogwarts, em “Relíquias da Morte”, a união do bem atinge sua maior intensidade e esperar que a série tivesse um outro final seria esperar que J.K traísse os valores que ela mesma deixou claro acreditar durante toda a obra.”

> Super concordo com isso, discuti muito quando saiu RdM e todo mundo veio indignado dizer que a Batalha (o duelo Voldemort X Harry especificamente) era uma porcaria, mas ali está toda a alma da série, é algo tão psicológico e sentimental que me deixou sem ar enquanto lia, perfeito demais.

Sem dúvida a família, o bem e o amor representam muito bem HP, até porque o oposto desses pilares, é talvez a representação perfeita de Voldemort: sem família, sem amor e bem.
E já que o autor falou de Aristóteles, isso me lembrou os bens honestos de Platão, totalmente random, mas enfim kkk Acho que é aí que HP se encaixa, no nível supremo de bem, aquele que não é deleitável e nos cansamos, nem apenas proveitoso, mas algo que constrói a ”perfeição da alma” através do conhecimento. Eu penso muito em como cresci com a série, como aprendi e me tornei alguém melhor, nos momentos mais estranhos HP me ajuda, me vem com um trecho de um ”bem honesto” que me faz querer lutar sempre mais.
Seria bem diferente se não fosse pela série, com certeza.

Só acho que dos pilares, faltou um que é essencial para mim: a lealdade. Sei que o amor é leal, mas a lealdade em si é um pilar, e até mesmo um pilar no lado negro, pois Belatriz e Voldemort também o são. E claro, existem muitos outros conceitos importantes também, como a coragem, a intuição, evolução, sonho, fé, esperança…

De qualquer forma gostei muito da coluna. Parabéns, Breno. ;)


Felipe | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uau.
Ontem mesmo estava estudando, como de praxe, já que estou em ano de vestibular e lembrei que tinha colocado no ipod o trailer do 7°. Estudava com uma amiga minha que pediu para ver o trailer, sim, fã. Ao terminar paramos tudo e começamos a tentar desvendar a que parte do livro cada quadro do video representava. Isso nos levou a um brainstorming, e este a momentos épicos da saga. O seu Aristóteles deve ter baixado em mim e eu comecei a filosofar Harry Potter.

Hoje venho aqui e leio isto. Déjà vu!!

Muito bom mesmo, parabens. ;)


Daniel | sexta-feira, 11 de junho de 2010

luc, é que o Barbosa tem toda uma tradição de postar as opiniões polêmicas dele e tals mas não faz da maneira correta que alguém com o intuito dele faz. É uma longa história. E nunca olhem nos olhos de Nagini -Q

tá, parei, desculpem a mediocridade


Viviane | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amei! Amei! Amei! Lindo demais!
A conclusão está mais que demais! Maravilhoso! Emocionante!
Breno, você tem talento com as palavras. Parabéns!


Paulinha | sexta-feira, 11 de junho de 2010

Adorei!
Parabéns Bruno! Continue fazendo o bem com seus textos.

Falar de Harry Potter e não falar de amor é não falar de Harry Potter né? pq é em volta dele que a trama gira, é por amor que tudo acontece na série, como amor de Lily por Harry, que é uma amor que salvou vidas e a ausência de amor em Voldemort que o tranformou em uma criatura não- humana. Como a J.K diz no documentário:”Pq ser humano inclui a capacidade de amar.”
E a família e o bem tbm são outras coisas bonitas de se ver na série, não necessariamente aquela família de ‘pai, mãe e filhos’, mas tbm a família que vc pode formar com os amigos que vc escolheu.
E a necessidade de se opor contra o mal, de não aceitar as maldades cometidas e lutar contra isso.

comentar depois da Paty dá até vergonha do meu pobre comentáio! ela sempre representa mt bem o ‘espírito Potteriano’


Paulinha | sexta-feira, 11 de junho de 2010

*um amor
*comentário

eita!



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