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A riqueza de Harry Potter
//Por Isadora Cecatto - Monday, 22 de March de 2010 às 18:42

Todos reconhecemos a existência de opiniões controversas acerca da série Harry Potter como um todo. De modo geral, os defensores da saga costumam usar de argumentos pouco técnicos e excessivamente sentimentais para justificar sua riqueza e significado, não convencendo aos anti-Potter com facilidade.
Mariana Nascimento, portanto, assume a responsabilidade de enumerar as características da obra mais racionalmente, do enredo à linguagem, numa análise que é, sim, de fã, mas não comete os famosos fanatismos do mundo virtual. Leia a obra completa aqui e não deixe de opinar sobre essa que é a nossa quinta postagem dentre as 7 colunas-teste de nossos novos colunistas!

Por Mariana Nascimento

Conhecida pelo sucesso de vendas, tanto de livros como de ingressos para a adaptação cinematográfica, a série “Harry Potter” (J. K. Rowling, Ed. Rocco) tem seu valor literário muitas vezes questionado. Porém, se olharmos os sete livros que a compõem de forma mais despida de preconceitos, encontraremos um valor que não deve ser classificado apenas como entretenimento.

O enredo de “Harry Potter” consiste basicamente nas aventuras de um garoto que de repente descobre que é bruxo e ingressa numa escola de magia, onde desenvolverá suas habilidades mágicas e tomará parte na luta contra bruxos das trevas. Entretanto, tais fatores são apenas a superfície da trama, na qual exercem importância temas e recursos narrativos que tornam evidente a relação da série com a realidade e com as culturas clássica e atual, numa escrita dinâmica e bem humorada.

Em primeiro lugar, quanto à temática, há a questão da auto-descoberta, do desenvolvimento e amadurecimento do sujeito. O personagem principal, Harry, não é o herói perfeito, havendo até mesmo um paralelo entre sua identidade e a do grande vilão, Voldemort. Antes de descobrir que é bruxo, levava uma vida propositalmente limitada pelos tios, que o acolheram depois da morte de seus pais: nenhum afeto era dirigido a Harry e o lugar reservado para ele dormir era o armário debaixo da escada, embora houvesse na casa um quarto ocupado apenas por brinquedos do seu primo mimado.

Ao ingressar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry descobre um mundo completamente novo, onde pode fazer amizades, desenvolver suas habilidades, conhecer suas origens e interagir com um meio social diversificado.

Essa nova realidade de Harry pouco se diferencia da realidade dos leitores e, quando o faz, através da inclusão de elementos mágicos, o resultado é o enriquecimento da obra. O elemento maravilhoso é capaz de transformar algo comum ou em objeto paródico ou em expressão de nossos desejos. Disso podem ser exemplo os retratados em pinturas que conversam com as pessoas ou a sala que muda seu interior de acordo com a necessidade de alguém: quem não se interessaria em visitar um lugar como este?

Enquanto simples estudantes, Harry e seus amigos têm de lidar com fatores corriqueiros como a inimizade dos colegas, a obrigação de estudar e fazer montes de lições para ganhar boas notas, as aulas desinteressantes, a antipatia por/de algum professor, a dificuldade em determinadas matérias… Enfim. A diferença é que o tamanho das redações é medido em rolos de pergaminho; as aulas requerem o uso de caldeirões, varinha mágica e contato com seres como hipogrifos, unicórnios, bicho-papão e plantas que gritam; e os professores e colegas menos amigáveis podem expressar seus sentimentos com feitiços que transformam uma pessoa em uma fuinha, por exemplo.

Como seres subjetivos, os personagens se deparam com toda a gama de sentimentos e impressões possível. Rony, o melhor amigo de Harry, sente-se inferior devido aos problemas financeiros da família; Luna, outra amiga de Harry, é excluída por ser diferente; Neville sofre a pressão da avó, que espera que ele seja um bruxo tão bom quanto seus pais foram; e Harry depara-se com a perda e a morte, com a inconfiabilidade das pessoas, a dúvida sobre si mesmo, a desmoralização pública, entre outros.

Já no que diz respeito à representação da sociedade, “Harry Potter” não ignora questões como os interesses políticos e comerciais. Nesse sentido, há o ministro que opta por ignorar acontecimentos que o prejudiquem e uma jornalista sensacionalista a qual distorce o dito por seus entrevistados. Além disso, o grande vilão, Voldemort, põe em cena a busca pelo poder impulsionada pelo ódio e por conceitos racistas, mostrando como um motivo pessoal se transforma em ideologia e pode gerar um desastre social.

Voldemort também exemplifica a relativização das origens do mal, que podem ser tanto as vivências dolorosas quanto as predisposições do caráter. Trata-se de um personagem que teve uma infância tão difícil quanto a de Harry, mas que, ao contrário deste, é capaz de manipular, torturar e matar sem hesitação.

A diversidade temática de “Harry Potter” inclui ainda a atualização de seres mitológicos e folclóricos, tais como o cachorro de três cabeças, o dragão, a fênix, os gnomos e outros tantos.

Quanto à linguagem, são vários os recursos utilizados: explora-se a capacidade do gênero romance de incorporar outros gêneros textuais através das cartas escritas e recebidas por Harry, dos versos cantados pelo Chapéu Seletor e das notícias lidas no Profeta Diário; mostra-se a linguagem como caracterizadora do sujeito, seja através da reprodução do sotaque francês de uma personagem ou através da diferente sintaxe dos elfos domésticos; e brinca-se com as palavras através de nomes de personagens, de invenções mágicas ou de feitiços e encantamentos (como exemplos, há o Espelho de Ojesed e o professor lobisomem Remo Lupin).

Todos esses fatores, apenas enumerados aqui, constituem vasto objeto de estudo, sendo passíveis de um aprofundamento interpretativo que, no entanto, foge às intenções deste texto. Há ainda outras questões, como demonstram as polêmicas sobre os elementos capitalistas ou sobre o caráter pagão ou cristão presentes na obra. Sem dúvida, a reflexão mais detida sobre cada um dos fatores apontados ampliaria o alcance da série, revelando o retrato que faz do mundo atual e as estratégias lingüísticas e textuais que tornam o texto atrativo a tantas pessoas.

Essa visão geral, portanto, já nos permite afirmar que “Harry Potter” é produto de um trabalho literário o qual considera aspectos de toda a cultura e sociedade ocidentais, e que é um equívoco, portanto, classificá-lo apenas como sucesso mercadológico vazio de significado.

Mariana Nascimento absorveu as informações desta coluna por osmose, através do Dicionário Madame Pinceque fica embaixo de seu travesseiro.

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Categorias: Análises, Colunas, Mariana Nascimento, Notícias em Destaque
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Comentários
Ao postar, não use xingamentos e palavrões.

Anonymous | Monday, 22 de March de 2010

PUTZ!!!
NÃO VAMOS RELAXARRR!!!!
CARA………..votem votem votem LOUCAMENTEEEE

mtv.uol.com.br/apostasmtv/?cat=2

TEMOS QUE GANHAR ESSA!!!!!

POE AI NO FAVORITOS E VOTEM VÁRIAS VEZES…..

DIVULGEM O LINK PRA OUTROS SITESSSSS…….E AMIGOSSSS

VAMOS LÁ PESSOALLLLLLLLLLLLLLLLLL

É O ÚLTIMO DIAAAAAAAAA


lia | Monday, 22 de March de 2010

votem no mtv apostas…é só dá uma relaxada que a diferença já caiiii….


Rildo | Monday, 22 de March de 2010

HUM… Vejamos o que achei da coluna: muito boa!

Primeiro foi bom você lembrar que: Voldemort, por um conceito pessoal, transformou algo em desastre social. Realmente muito bom, pois, como: “Hitler – não sei se escreve-se assim!”, são super racistas, Hitler tinha preconceitos com os judeus, e devo admitir que nem sei o porquê, no caso de Voldemort, porém, podemos afirmar que ele odeia os trouxas por causa da mãe e do pai? Enfim, o odio dele por causa dos pais e tal, passou pra pessoas inocentes que nada tinham haver com seus problemas pessoais, podemos ver isso no dia a dia, se algum professor seu te joga um giz de cera na cabeça porque está descontando a raiva dele em você porque está com problemas em casa, kkkkkkkkkkkkk

Isso mostra que J.K. é uma mulher extraordinária, através dos livros ela mostra valores super morais. Ora, quantos políticos na vida real não tem o jeito charlatão de Fudge, se é que posso dizer charlatão, porque ele se acovardou diante de uma ameaça, e tentou intimidar Harry, um adolescente quase “comum?”.

:roll:

Quantos exemplos de pessoas covardes que tentam intimidar pessoas inferiores podemos citar em Harry Potter, e quantos não existem na vida real? COMO diz o ditado: “Quer saber como um homem é, veja como ele trata os seus inferiores e não os seus iguais!”. Harry, em todo o caso, esteve em situação inferior.

Também tem a outra questão que você abordou, sobre os amigos de Harry: esqueceu de mencionar Hermione, que foi muito humilhada por ser uma nascida trouxa!

ENfim, adorei a coluna e o seu ponto de vista, Harry Potter pode ser uma fantasia, mas tem muitos mais valores morais do que muitas pessoas pensam :!:


Maria Fernanda | Monday, 22 de March de 2010

To votando muito.. e votem também aki gente crepusculo tá ganhando de lavada..
http://blig.ig.com.br/cinemaetudoissoblog/oscar-2010-candidatos/
por favor vamo ajudar!!


Anonymous | Monday, 22 de March de 2010

Maria fernanda, onde a gente vota?


lia | Monday, 22 de March de 2010

genteeeeeeeeeeeeeee

HP venceuuuuu o apostas MTV contra eclipse

posta aí ish!!!!

vwlw os recados de votação!!!!!!!!
wlw pessoalllll
vencemos mais essa!!!!!!!!!!!


ferigolo | Monday, 22 de March de 2010

muito boa análise! Poucas vezes colocamos o lado emocional de lado para fazer observações mais ‘racionais’ da obra. Parabéns.


gean | Monday, 22 de March de 2010

muito boa sua opião a respeito de HP penso da mesma maneira, pois quando faloq ue gosto de HP e muito todos riem e falam “a de magica de , de criança” claro no começo na pedra filosofal , passasse aquela impressão de infantil , mais foi por causa de peimeiro filme que comecei gostar de HP.
conheço pessoas que começaram gostar la pro 3º livro ou até mais.
esses livros sem noção que chamam de literatura , não tem nem sequer metade da criatividade de JK,é o que me admira nos livros tambem a questão da criatividade, como é relatado os lugares os personagens ,etc, me sinto dentro da estoria quando estou lendo.

ENFIM HP FOREVER LITERATURA MUNDIAL


Joanna | Monday, 22 de March de 2010

Incrível coluna, eu precisava de argumentos ainda melhores do que tinha para defender a série, e então me surgiu esse texto genial.
:)

Parabéns!

Poderíamos mencionar também a relação Harry-Voldemort, que mesmo ilustrada com magia, é monstruosa, e se fossemos pensar nela sem a magia, seria algo impensável para ser colocado em um livro julgado infantil. Um homem, que persegue, humilha e “assassina” uma criança até sua maioridade; que faz desde matar os pais de Harry, até destruir um castelo milenar.Uma relação destrutiva que é elevada a tema principal de um livro considerado “pobre” literariamente.

Eu defendo essa bandeira. :)


Anonymous | Monday, 22 de March de 2010

Bom texto, bem argumentado. Parabéns


Victor | Monday, 22 de March de 2010

Demais, adorei, concordo 100%


Sheila | Tuesday, 23 de March de 2010

Welcome Mariana! :D


Deh | Tuesday, 23 de March de 2010

Parabeeens Mariana!! =D

mto boa a coluna.. um texto realmente bem escrito! Assino embaixo ;)


Daniel | Tuesday, 23 de March de 2010

É o meu tipo predileto de coluna, nossa, amei!

Principalmente quando a Mariana salientou o espaço de aprofundamento que a obra propicia em cada campo de análise que se proponha a fazer. Tirando algumas linhas desnecessárias falando de enredo – totalmente dispensável num site especializado como o ish – tá perfeita!

Acho que as grandes sacadas da série enquanto literatura são os jogos de palavras com ligações geniais de mitologia e literatura clássica (envolvendo desde os nomes de personagens até os eventos que ocorrem em cada um dos sete livros e complementares) e a representatividade alegórica inteligente que a autora faz das instituições, que torna a coisa toda extremamente realista, rica.

É nesse ponto que a série transcende o infanto-juvenil e se firma como agradável a todas as idades. É bom aos olhos do leitor despreparado e do bem preparado também (daí a acessibilidade e sucesso da série), pois há o que se tirar proveito muito além da esfera mitológica, mágica. Não é um mero livro sobre o bruxinho de óculos que faz feitiço com a varinha na escola de magia, é uma obra extensa que aborda diversos temas de cunho social e histórico usando a mitologia como enfeite alegórico e chamativo.

Não vejo a hora de ler o próximo texto assinado por vc, Mariana! E continue nessa área que vc vai longe xD


Fernanda | Tuesday, 23 de March de 2010

Muito bom seu texto Mariana!


Cinthia | Tuesday, 23 de March de 2010

Muito boa mesmo a coluna!!!
Parabéns Mariana, você escreve mto bem!! ;)


May | Tuesday, 23 de March de 2010

Muito bem Mari!!

Parabens!!!

E bem vinda!!!


Anonymous | Wednesday, 24 de March de 2010

Muito bom!


uberVU - social comments | Wednesday, 24 de March de 2010

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This post was mentioned on Twitter by MestreDoAr: A riqueza de Harry Potter http://bit.ly/c3Zwgv...


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Charles Potter | Wednesday, 24 de March de 2010

Uma das coisas que mais me fascina na obra de HP são os nomes que a Rowling buscou para seus personagens. Outro dia, por acaso, estudando os primeiros imperadores romanos encontrei um da família Severo (nome do filho de Harry em homenagem ao professor Snape). Não é demais?

Ótima coluna Mariana. Vou ler sempre teus próximos textos. Continue assim.


Perônio | Wednesday, 24 de March de 2010

Eu diria mais: eu diria que cada coluna do Potterish é uma prova da riqueza de Harry Potter!!! \o/



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